Pólipo endometrial: o que é, sintomas e quando retirar
Você fez um ultrassom e o laudo veio com a frase "imagem sugestiva de pólipo endometrial"? É normal sentir medo ao ler isso. Muitas mulheres pensam logo em câncer ou em cirurgia grande.
A boa notícia é que o pólipo endometrial é muito comum e, na grande maioria das vezes, é benigno (não é câncer) [1,2]. E, quando precisa ser retirado, isso costuma ser feito por dentro do útero, sem cortes na barriga.
Neste artigo, você vai entender o que é o pólipo, quais sintomas ele pode causar, quando ele precisa sair e como é a histeroscopia.
O que é pólipo endometrial?
Primeiro, vale conhecer o endométrio: é a camada que reveste o útero por dentro e que descama todo mês na menstruação.
O pólipo endometrial é um crescimento a mais dessa camada, preso à parede do útero por uma espécie de "cabinho" [1]. Pense em uma pequena gota de tecido pendurada do lado de dentro do útero.
Ele pode ser único ou aparecer vários ao mesmo tempo. O tamanho varia de poucos milímetros a alguns centímetros.
Também existe o pólipo no colo do útero (a parte do útero que fica no fundo da vagina). Ele é parecido, mas fica em outro lugar. Às vezes os dois aparecem juntos [1].
Pólipo endometrial é comum?
Sim. Estima-se que cerca de 1 em cada 4 mulheres tenha um pólipo no útero em algum momento, e ele é mais frequente depois da menopausa [1].
Por que o pólipo aparece?
A causa exata não é totalmente conhecida. Sabemos que ele tem relação com o estrogênio, um dos hormônios femininos [1].
Alguns fatores aumentam a chance de ter pólipo [1]:
- Idade mais avançada, especialmente perto ou depois da menopausa
- Sobrepeso e obesidade
- Pressão alta e diabetes
- Síndrome dos ovários policísticos (alteração hormonal que causa menstruação irregular)
- Uso de tamoxifeno, um remédio usado no tratamento do câncer de mama
Ter um desses fatores não quer dizer que você terá pólipo. Apenas pede mais atenção nas consultas.
Quais os sintomas do pólipo endometrial?
Muitas mulheres não sentem nada. O pólipo é descoberto por acaso em um ultrassom de rotina [1].
Quando há sintomas, o principal é o sangramento diferente do seu normal [1]:
- Menstruação muito forte ou mais longa que o habitual
- Sangramento fora da menstruação (o famoso "escape")
- Sangramento depois da relação sexual
- Qualquer sangramento depois da menopausa, mesmo que seja pouco ou só uma mancha marrom
Os sintomas não dependem do tamanho do pólipo. Um pólipo pequeno pode sangrar, e um grande pode não dar sinal nenhum [1].
Pólipo endometrial atrapalha engravidar?
Pode atrapalhar. O pólipo pode dificultar a passagem dos espermatozoides e deixar o útero menos "receptivo" para o embrião se fixar [1,3].
Um estudo da Cochrane mostrou que, em mulheres que iam fazer inseminação artificial, retirar o pólipo antes aumentou a chance de gravidez [5]. Esse resultado ainda precisa de mais estudos para ser confirmado. Por isso, a decisão é sempre individual.
Pólipo endometrial vira câncer?
Essa é a dúvida mais comum, e a resposta é tranquilizadora: na grande maioria dos casos, não.
Um grande estudo que reuniu dados de mais de 35 mil mulheres encontrou alteração maligna em cerca de 3 em cada 100 pólipos [2]. Esse risco muda bastante conforme a fase da vida:
- Antes da menopausa: cerca de 1 em cada 100 pólipos [2]
- Depois da menopausa: cerca de 5 em cada 100 pólipos [2]
- Com sangramento: o risco é maior do que em quem não tem sintoma nenhum [2]
O risco também é um pouco maior em pólipos com mais de 1,5 cm [1]. Por isso, todo pólipo retirado deve ir para análise em laboratório (biópsia). Só assim temos certeza de que ele é benigno [1,3].
Como é feito o diagnóstico?
Ultrassom transvaginal
O primeiro exame costuma ser o ultrassom transvaginal (feito com um aparelho fino colocado na vagina). Ele mostra bem o endométrio e muitas vezes já sugere o pólipo [1,3]. O Doppler, que avalia a circulação do sangue, pode mostrar o "vasinho" que alimenta o pólipo [1].
Mas o ultrassom sugere, não confirma. Algumas imagens parecem pólipo e são outra coisa, como espessamento do endométrio ou um mioma.
Histeroscopia
A histeroscopia é um exame em que uma câmera bem fina entra pelo canal vaginal e pelo colo do útero para ver o útero por dentro, sem cortes.
Ela é considerada o padrão de referência para o diagnóstico de pólipo: permite ver o pólipo diretamente, avaliar seu tamanho e, em muitos casos, retirá-lo no mesmo momento [1,3].
A curetagem "às cegas" (raspagem do útero sem ver o que está sendo feito) não é indicada para pólipo, porque pode deixar parte dele para trás [3].
Todo pólipo precisa ser retirado?
Não. A decisão depende dos seus sintomas, da sua idade, do tamanho do pólipo e dos seus planos de gravidez [1,3,4].
Quando acompanhar sem operar pode ser uma opção
Em mulheres antes da menopausa, sem sintomas, sem fatores de risco e com pólipo menor que 1,5 cm, a FEBRASGO sugere que é possível acompanhar por cerca de 1 ano com ultrassom [1].
Alguns pólipos pequenos somem sozinhos: cerca de 1 em cada 4 pólipos menores que 1 cm regride em um ano [1].
Quando a retirada é recomendada
Em geral, a retirada é indicada quando [1,3,4]:
- O pólipo causa sangramento
- Há sangramento depois da menopausa
- O pólipo tem 1,5 cm ou mais
- Você tem fatores de risco para câncer do endométrio
- Você está com dificuldade para engravidar ou vai fazer tratamento de fertilidade
- O exame mostra alguma característica que levanta dúvida
Remédios hormonais podem ajudar a controlar o sangramento em alguns casos, mas não fazem o pólipo desaparecer de forma confiável. Por isso, quando ele precisa sair, o tratamento costuma ser a retirada [4].
Quando procurar um ginecologista?
Agende uma consulta se você tiver:
- Sangramento depois da menopausa, em qualquer quantidade
- Sangramento fora da menstruação que se repete
- Menstruação muito forte, com coágulos ou que obriga você a trocar o absorvente com muita frequência
- Sangramento depois da relação sexual
- Laudo de ultrassom com "pólipo", "espessamento endometrial" ou "imagem no endométrio"
- Dificuldade para engravidar há mais de 1 ano (ou 6 meses, se você tem mais de 35 anos)
Sangramento depois da menopausa nunca é normal e sempre merece avaliação, mesmo que tenha sido uma única vez.
Como é a avaliação e o tratamento no consultório?
A consulta
Na consulta, o Dr. Murillo Santos conversa com você sobre seus sintomas, sua história e seus exames. Depois, faz o exame ginecológico e, se necessário, pede ou revisa o ultrassom transvaginal.
Com essas informações, vocês decidem juntos o melhor caminho: acompanhar ou retirar o pólipo.
A histeroscopia para retirar o pólipo
A retirada do pólipo por histeroscopia se chama polipectomia histeroscópica. Veja como ela funciona:
- A câmera entra pela vagina e pelo colo do útero. Não há cortes nem pontos na barriga.
- Instrumentos muito finos passam pela própria câmera e retiram o pólipo pela base.
- Pólipos pequenos muitas vezes podem ser retirados no próprio consultório ou ambulatório, sem internação [1,3].
- Pólipos maiores ou casos específicos podem precisar de sedação ou anestesia, em centro cirúrgico.
- O pólipo retirado é sempre enviado para biópsia [1,3].
Entre os benefícios dessa técnica minimamente invasiva estão:
- Recuperação rápida: a maioria das mulheres volta à rotina em poucos dias
- Menos dor do que em cirurgias tradicionais
- Sem cicatrizes na pele
- Baixo risco de aderências (cicatrizes dentro do útero), o que é importante para quem quer engravidar [3]
Como em qualquer procedimento, há riscos, que são pouco frequentes e serão explicados na consulta. O resultado varia de pessoa para pessoa, e o pólipo pode voltar com o tempo. Por isso, o acompanhamento com o ginecologista continua importante.
Em casos raros em que a biópsia mostra alteração pré-maligna ou maligna, pode ser necessário outro tratamento, como a retirada do útero, que muitas vezes pode ser feita por laparoscopia (cirurgia com pequenos furinhos na barriga) [3].
Perguntas frequentes
Pólipo endometrial é câncer?
Na grande maioria das vezes, não. Cerca de 97 em cada 100 pólipos são benignos [2]. Mesmo assim, todo pólipo retirado deve ir para biópsia, para confirmar.
Pólipo endometrial some sozinho?
Pode sumir. Cerca de 1 em cada 4 pólipos pequenos (menores que 1 cm) desaparece em um ano em mulheres antes da menopausa e sem sintomas [1]. Por isso, em alguns casos, o médico pode propor apenas acompanhar.
Histeroscopia dói?
A maioria das mulheres sente apenas um desconforto parecido com cólica. Quando o procedimento é maior, ele pode ser feito com sedação ou anestesia. Converse com seu médico sobre o que é melhor para você.
Quanto tempo dura a recuperação da histeroscopia?
Em geral, a recuperação é rápida, e muitas mulheres voltam às atividades em 1 a 2 dias. Um pequeno sangramento ou cólica leve nos primeiros dias é comum. Seu médico vai passar as orientações para o seu caso.
Pólipo endometrial pode voltar?
Pode. O pólipo pode aparecer de novo, mesmo depois de retirado. Por isso, é importante manter as consultas e exames de rotina com o ginecologista.
Quem tem pólipo pode engravidar?
Sim. Muitas mulheres com pólipo engravidam normalmente. Mas, se você está tentando e não consegue, retirar o pólipo pode ajudar, principalmente antes de tratamentos de fertilidade [3,5].
Todo pólipo precisa de cirurgia?
Não. Pólipos pequenos, sem sintomas, em mulheres antes da menopausa e sem fatores de risco podem ser apenas acompanhados [1]. A decisão é feita em conjunto com o médico.
Conclusão
O pólipo endometrial é comum, quase sempre benigno e tem tratamento simples quando precisa ser retirado. O mais importante é não ignorar sinais como sangramento fora de hora ou depois da menopausa e não tirar conclusões apenas pelo laudo do ultrassom.
Cada caso é único. Somente uma avaliação individual pode dizer se o seu pólipo deve ser acompanhado ou retirado.
Se você tem esses sintomas ou recebeu um laudo com pólipo, agende uma avaliação com o Dr. Murillo Santos, ginecologista e obstetra em Maringá - PR.
*Dr. Murillo Santos – Ginecologista e Obstetra | CRM-PR 43.086 | RQE 32.072 e 34.548*
*Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.*
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Referências
- Lasmar RB, Lasmar BP, Zagury DB, Bruno R, Cardeman L. Pólipo uterino. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2018. (Protocolo FEBRASGO – Ginecologia, nº 7/Comissão Nacional Especializada em Endoscopia Ginecológica). Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/images/pec/Protocolos-assistenciais/2020-Plipo-Uterino.pdf
- Uglietti A, Buggio L, Farella M, Chiaffarino F, Dridi D, Vercellini P, et al. The risk of malignancy in uterine polyps: a systematic review and meta-analysis. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2019;237:48-56. doi:10.1016/j.ejogrb.2019.04.009
- Vitale SG, Haimovich S, Laganà AS, Alonso L, Di Spiezio Sardo A, Carugno J. Endometrial polyps. An evidence-based diagnosis and management guide. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2021;260:70-7. doi:10.1016/j.ejogrb.2021.03.017 [VERIFICAR volume e páginas]
- Bougie O, Randle E, Thurston J, Magee B, Warshafsky C, Rittenberg D. Guideline No. 447: Diagnosis and management of endometrial polyps. J Obstet Gynaecol Can. 2024;46(3):102402. doi:10.1016/j.jogc.2024.102402 [VERIFICAR volume e número]
- Bosteels J, van Wessel S, Weyers S, Broekmans FJ, D'Hooghe TM, Bongers MY, et al. Hysteroscopy for treating subfertility associated with suspected major uterine cavity abnormalities. Cochrane Database Syst Rev. 2018;12(12):CD009461. doi:10.1002/14651858.CD009461.pub4
